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Gangues das crianças e adolescentes invadem prédios com extrema facilidadePostado em: 25 de abril de 2019

O problema com invasões a condomínios residenciais não é de hoje. As discussões entre síndicos e moradores em prol da melhoria na segurança vêm de longa data. Mas por que muitos prédios não conseguem avançar na minimização de riscos?

Vamos a uma pergunta fatal:

No edifício que você reside seria difícil a um suspeito entrar, sem autorização, pelo portão de pedestre, pela garagem de autos ou através da transposição de muro ou gradil?

Infelizmente, como especialista em segurança condominial, posso garantir que a maioria dos leitores irá responder afirmativamente.

Para escancarar de vez a insegurança nos edifícios, é só procurar no Google sobre prédios em São Paulo invadidos nos últimos dois anos por crianças e adolescentes.

Acredite se quiser, fedelhos e pirralhos vestidos com roupas de grife e, geralmente, empunhando celulares de última geração têm conseguido entrar, com extrema facilidade, em prédios de classe média e média-alta.

Esses menores infratores não portam armas de fogo e não se utilizam de agressividade. Apenas vislumbraram brechas e furos na segurança de centenas de condomínios e através dessas falhas penetram de forma simples, sem o mínimo esforço.

O único instrumento que possuem é uma chave de fenda, que é usada para arrombar a porta da unidade a ser invadida. Após alguns minutos deixam o apartamento com mochilas e malas de viagem das próprias vítimas e repletas de objetos de valor. Passam pela portaria de pedestre e, às vezes, até pela saída de autos e ninguém desconfia de nada.

Ronaldo Sayeg, delegado do Deic, da Delegacia de furtos e roubos a condomínios, disse que as gangues de menores se aproveitam do vacilo dos porteiros.

Por outro lado, não podemos deixar de apontar outros problemas comuns em condomínios residenciais:

– Moradores que não cumprem normas de segurança, ou seja, dão mais valor para a comodidade do que para a segurança coletiva;

– Falta de equipamentos físicos e eletrônicos para auxiliar porteiros no processo de controle de acesso de pessoas e veículos;

– Normas e procedimentos de segurança desatualizados, ou seja, sem revisão e readequação há muitos anos, estando, assim, totalmente defasados;

– Zeladores que não supervisionam o trabalho dos porteiros, controladores de acesso e vigilantes. Muito menos o cumprimento de regras básicas de segurança por condôminos

– Funcionários de portaria que não recebem treinamento e capacitação constantes

– Síndicos que não entendem a segurança condominial como um todo e, muitas vezes, fazem investimentos sem a orientação de consultoria especializada em segurança, redundando que o risco de invasão não diminui, apesar da instalação de alguns equipamentos

O policial civil citado acima, mencionado em recente entrevista para diversos veículos de comunicação, disse que mais de 30 menores foram apreendidos em 2019, mas que foram liberados rapidamente pela justiça por não praticarem violência à pessoa. Assim, muitos puderam voltar a delinquir, invadindo prédios nos mesmos bairros.

O síndico Renato Soares Bastos, que administra prédio no bairro da Aclimação/SP, que foi invadido, fez o seguinte comentário em entrevista ao portal G1:

“Em uma das invasões eles estavam com fone de ouvido, iphone na mão, conversando, brincando. Subiram no elevador fazendo brincadeiras. De fato eles são muito bem preparados para se portar dentro do condomínio e não chamar a atenção de ninguém”.

Não posso concordar com as declarações do citado síndico. Não é possível aceitar que crianças de 10 e 11 anos sejam tão bem preparadas assim para entrar num prédio sem autorização de ninguém, arrombar portas de apartamentos e deixar o local carregados de bagagens; tudo isso sem levantar suspeitas.

O problema é outro: são os condomínios que não têm feito a lição de casa quando o assunto é segurança e controle de acesso de pessoas e autos.

Os menores bandidos, mesmo com tenra idade, apenas têm enxergado os furos na segurança, que administradores não conseguem fechar.

CONCLUSÃO

Se crianças e adolescentes têm conseguido invadir prédios com tanta facilidade, imaginem quadrilhas especializadas em arrastão, que antes do assalto realizam análise de risco completa e planejam o crime com riqueza de detalhes.

Não adianta esconder o sol com a peneira e adiar soluções!

Até quando a retórica que meu prédio é tranquilo e não precisa de investimentos em segurança vai prevalecer?

Dr. Jorge Lordello