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SEGURANÇA NO COMÉRCIO VAREJISTAPostado em: 27 de março de 2019

SEGURANÇA NO COMÉRCIO VAREJISTA

Abordamos neste tópico um assunto importante para a segurança do comércio varejista, principalmente no que diz respeito a redes de supermercados desde lojas pequenas localizadas no centro das grandes cidades, lojas de porte em regiões específicas até lojas gigantes, situadas em pontos estratégicos junto às grandes vias de acesso às cidades. Em todas elas constatam-se problemas muito semelhantes relacionados a furtos, os quais certamente devem persistir, além de afligir também às redes concorrentes. O que se nota é que existem basicamente três tipos de furtos em lojas neste ramo da atividade econômica: o furto oportunista e sem planejamento praticado por clientes, o furto interno realizado pelos próprios funcionários e o furto organizado, realizado por quadrilhas, com algum tipo de tática, que chegam a utilizar menores e mulheres para a prática  dos delitos.

No primeiro caso, os produtos furtados se caracterizam por serem produtos de custo relativamente elevado, onde o cliente se vê tentado a levar sem pagar. Estes tipos de produtos podem ser considerados como sendo aqueles de consumo eventual ou de luxo.  Os mais furtados são: bebidas finas (especialmente destilados como uísque, vodca, champanhe e vinhos importados) e, curiosamente, carnes nobres, como peças de picanha, por exemplo. Em relação aos produtos furtados por quadrilhas organizadas, sendo que até algumas são compostas por famílias conhecidas, busca-se lâminas de barbear de primeira linha, pilhas e baterias,  cosméticos, etc. Estes produtos se caracterizam por terem  pequeno volume, facilidade de escondê-los em bolsas ou sacolas e fácil recolocação no mercado, sendo adquiridos geralmente por farmácias ou pequenas lojas de bairro ou mesmo por vendedores ambulantes. As técnicas utilizadas por estas quadrilhas são semelhantes. Quando entram, como se fossem clientes comuns, vêm todos com a mesma roupa, por exemplo: todos de camisetas brancas e calças jeans. Esta tática visa confundir a segurança da loja, ou seja, se alguém comunica pelo rádio a um segurança: “observe o rapaz de branco”, qual deles seria o suspeito? A técnica do furto se dá em várias etapas: a primeira é que um dos integrantes do golpe literalmente esvazia as “gancheiras” onde estão pendurados os produtos, colocando-os numa sacola, por exemplo. Depois de algumas voltas, deixa a sacola num outro local dentro da loja, numa seção diferente, livrando-se assim do produto do crime. Outro integrante então se aproxima e recolhe a sacola, colocando-a dentro de uma bolsa de mulher, saindo tranquilamente da loja. Esta é uma das formas mais comumente utilizadas.  Trata-se de um furto de razoáveis proporções, dada a quantidade de produtos subtraída de uma só vez.

Neste ramo específico também pudemos observar que grande parte da culpa por este tipo de ocorrência, cabe à própria empresa, uma vez que não há investimento na segurança da loja.  Algumas até mesmo possuem circuito interno de TV de boa qualidade, câmeras com movimento e com zoom, que permitem observar os detalhes das pessoas suspeitas. Todavia o equipamento é subutilizado, uma vez que, por medida de economia, ninguém monitora as imagens. Outra economia que gera insegurança é representada  pelo fato de que muitas lojas operam apenas com um funcionário da segurança, o qual é insuficiente para cobrir toda a área, além do fato de que muitas vezes o mesmo é utilizado para serviços totalmente diversos de sua função específica, tais como levar ou buscar mercadorias no estoque, etc.

Em muitas lojas, o fato comum é que não há nenhum tipo de treinamento aos funcionários em como agir em face de uma ocorrência desta natureza. Literalmente, ninguém saberia o que fazer! Uma das soluções paliativas adotadas pelas redes é a de colocar alguns produtos próximos aos caixas, desta forma seria mais difícil apanhar-se uma grande quantidade de produtos sem ser notado. São também colocadas “gancheiras” de menor capacidade, desta forma os promotores não podem colocar uma quantidade elevada de produtos no mesmo local. Quanto às bebidas mais caras, a solução, muitas vezes, é deixar nas gôndolas apenas as suas caixas vazias. O produto, a pedido do caixa, seria apanhado numa sala de segurança por um funcionário no ato da compra, ou numa prateleira com porta de vidro e trancada com cadeado.

Resumidamente, o que se encontra são tentativas de solução para um problema que deve custar muito dinheiro às redes em termos de prejuízos anuais. Mais uma vez fica provado que uma medida de economia pouco estratégica deixa as lojas expostas a inúmeros ataques sem que haja uma ação realmente eficaz para evitá-los.

Este assunto é tratado nas empresas por uma especialidade chamada de Prevenção de Perdas, a qual é representada por um trabalho que abrange toda a organização, envolvendo desde a recepção da mercadoria até a frente de caixas.  Para realizar esta tarefa é necessário desenvolver programas específicos envolvendo todos os empregados da empresa.  Para obter sucesso na implementação desses programas, a área de Prevenção de Perdas deve contar com apoio e colaboração da área de Recursos Humanos, pois o funcionário é o recurso mais importante e o sucesso nesta missão depende de uma equipe bem preparada. Isto pode ser obtido através do treinamento contínuo, que abranja a aculturação, conscientização, sensibilização e reconhecimento.  Numa pesquisa realizada pelo PROVAR – Programa de Administração do Varejo, o treinamento especializado em Prevenção de Perdas para todos os níveis e áreas era adotado em 35% das empresas; 36% o realizavam parcialmente e 29% não o adotavam.

Ainda, segundo suas conclusões, parte das empresas desconhecem alguns indicadores de perdas, o que sugere um descontrole neste aspecto. O percentual de perdas sobre a venda bruta a preço de venda do varejo como um todo informado foi na média de 1,09% (sem contar os alimentos perecíveis) considerado muito baixo se comparado com os países mais desenvolvidos e de 3,24% (contando com os perecíveis), acredita-se mais próximo da realidade. Em dois anos anteriores, por exemplo, o varejo americano como um todo, que há muito investe em prevenção, perdeu 1,72% de sua venda bruta. Segundo o PROVAR, é interessante notar que uma perda, ainda que subestimada, de 1,09% sobre a venda bruta está relacionada a uma perda de nada menos de 31,09% sobre o lucro operacional. Este impacto é altamente significativo, principalmente considerando as dificuldades que todas as empresas de varejo costumam se defrontar.

Dando continuidade aos estudos sobre Prevenção de Perdas no Varejo Brasileiro, o Grupo de Prevenção de Perdas do Provar, a Canal Varejo, a ABRAS – Associação Brasileira de Supermercados, a Fundação ABRAS e a ACNielsen Consultoria lançaram a 6ª Avaliação de Perdas no Varejo Brasileiro.

Em um ambiente de margens reduzidas, a gestão eficiente em Prevenção de Perdas, a partir da correta identificação das perdas e da adoção de medidas preventivas, resulta em um diferencial competitivo para o setor varejista. Diante de uma concorrência acirrada e de consumidores informados, a prevenção de perdas contribuiu para incrementar a margem do varejista e elevar a rentabilidade do negócio.

A fim de tornar os dados comparáveis entre empresas, o PROVAR apura o índice de perdas dividindo o valor das perdas a preço de custo pelo valor do faturamento líquido. O propósito de cálculo de um índice é a apuração do real impacto financeiro das perdas para o negócio do varejista. Além disso, o uso de um índice permite o acompanhamento da evolução das perdas ao longo do tempo.

Neste contexto, este estudo teve como objetivos fornecer aos executivos parâmetros setoriais para comparação com os programas de prevenção de perdas adotados por suas empresas, bem como apresentar tendências do setor.

Nas causas das perdas destacaram-se os furtos realizados por funcionários e por pessoas vinculadas, de algum modo, às empresas comerciais. Portanto, as preocupações com as pessoas que trabalham nas organizações varejistas devem transcender a própria dada à atividade de venda. Um ponto comum aos dois tipos de atos ilícitos (furto realizado por funcionários e furto empreendido por consumidores) foi a tolerância. Esta tolerância, que significa impunidade, estimula a prática de tais atos. Na lista dos artigos mais furtados constam sempre os que têm mais possibilidade de venda no mercado informal.

Outra observação que merece destaque foi o baixo percentual identificado para os erros administrativos: 11%. É provável, considerando a experiência internacional, que este número também esteja subestimado. Nos EUA quando houve a implantação da automação comercial, todos os esforços da área de Prevenção de Perdas voltaram-se para os erros administrativos, pois era comum verificar-se muitos erros na entrada de dados no sistema devido ao despreparo das pessoas para lidar com um mecanismo todo automatizado, bem como às falhas de treinamento relativamente aos processos associados à automação comercial.

Um ponto interessante é que nota-se fortemente, desde estudos anteriores, que os segmentos de Farmácias e Drogarias e Lojas de Departamentos, dominam os conceitos de perdas e vêm trabalhando nelas há mais tempo que os segmentos de Hipermercados/Supermercados e de Atacadistas de Autosserviço. Estes estão mais avançados na incorporação dos conceitos de perdas em seus registros. Mais de 60% utiliza o conceito de perdas na Contabilidade de sua empresa e mais de 47% se vale da ideia do custo da Prevenção de Perdas. Estes ramos, mais fortemente, investem no treinamento especializado para seus funcionários. Muitas dessas empresas consideram os resultados de perdas nas avaliações de desempenho dos gerentes das lojas.

Seria interessante incluir na avaliação de desempenho também os profissionais que trabalham, direta ou indiretamente, com Prevenção de Perdas.