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A mágica do preço baixo em equipamentos eletrônicosPostado em: 6 de dezembro de 2011

A ação ocorreu em Pontal e foi uma ousada abordagem onde o agente federal conduziu o veículo a se chocar na asa do monomotor que, em fuga, preparava uma decolagem. Segundo a mesma matéria, esse é o décimo segundo avião abatido nos últimos cinco anos na rota conhecida como a Rota Caipira, utilizada para contrabando do Paraguai ao interior de São Paulo. Foram apreendidos nessa ação cento e quatorze computadores portáteis, câmeras e sistemas DVR da marca Q-See, conforme imagens abaixo extraídas da reportagem no portal G1. O valor estimado de toda a mercadoria é de R$ 200.000,00. Vamos direto ao ponto: de quem é a culpa? Pausa pra refletir. A culpa é de quem compra. Geralmente de quem acha que comprar o mais barato é o grande negócio da vida. A culpa é do cliente ruim, que pergunta se dá pra vender sem nota pra sair mais barato. E não me refiro somente ao usuário final, que muitas vezes lhe falta conhecimento operacional e técnico para entender os porquês de tantas diferenças de preço, já que muitas vezes não é habilitado a reconhecer as diferenças de qualidade e recursos. Refiro-me a quem está no mercado de segurança, fazendo qualquer coisa pra baixar os custos, ainda que “qualquer coisa” signifique comprar ignorando a procedência da mercadoria. Sem sequer observar o mercado interno cheio de boas opções sendo fabricadas aqui. Aliás, o que produzimos não cobre 20% do valor do mercado legal. Imagine o ilegal… Os distribuidores e os integradores devem cada vez mais dizer não a essas “mágicas” e priorizar a qualidade no atendimento, a velha relação cliente-fornecedor, ter a consciência de que todos ganham com isso e não fazer uma guerra de preços utilizando o subterfúgio do preço baixo dos produtos vendidos nas “esquinas”, sem qualquer preocupação com suporte, treinamento, pós-vendas. Tenho a impressão de que muita gente não sabe, mas, com o perdão de minha ironia, tudo isso custa! Até porque, se preço é o fundo do poço, garanto que esse poço não tem fundo: não importa o quão barato seja um equipamento, sempre haverá algo pior. Romântico, não é mesmo? Infelizmente sim. Quem mais sofre os impactos do mercado informal é a nossa indústria. Que por sua vez resolve se defender vendendo diretamente ao integrador, com uma pequena diferença de margem que venderia ao distribuidor. Que não é o santo da história: não perde a oportunidade de vender ao cliente final, e este ficará vendo borboletas quando precisar de um suporte ou de um atendimento técnico, coisa que o distribuidor, via de regra, não tem. Ou se tem, é integrador fingindo ser distribuidor pra comprar direto da fábrica. O segredo do preço baixo é esse. Nem sempre a mercadoria é contrabandeada, mas é equipamento negociado fora da rede de distribuição nesse nosso mercado que não se regula e que tem as associações organizando jantares em vez de combater e corrigir essa festa que virou a segurança eletrônica. E o que acontece em um terreno fértil como esse? Volte ao primeiro parágrafo.

 Rodrigo Baldin
É sócio da i-Seg Segurança Inteligente baldin@isegtech.com.br