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Golpes financeiros disparam na pandemiaPostado em: 13 de outubro de 2020

As tentativas de golpe financeiro pela internet cresceram na pandemia. Um dos principais motivos para o aumento desse crime é o fato de que, no distanciamento social, os consumidores passaram a utilizar mais os canais digitais das instituições financeiras para efetuar procedimentos bancários, como transferências e pagamentos de contas, uma alternativa para evitar aglomerações e, consequentemente, combater a proliferação da Covid-19.

Um levantamento feito pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) revela aumento nos golpes bancários durante a crise sanitária. Na quarentena, as instituições chegaram a registrar alta de mais de 80% nas tentativas de ataque de phishing (pescaria digital) – que se inicia com e-mails com links que direcionam o usuário a sites falsos. Os e-mails normalmente pertencem a remetentes desconhecidos ou fakes.

A Febraban também divulgou um aumento de 65% no golpe do falso motoboy – em que, depois de roubar dados sigilosos, os golpistas entram em contato com o cliente, fingindo ser um agente do banco, para informar sobre transações suspeitas com o cartão de crédito e orientam a vítima a cortar o cartão no meio, para inutilizar a tarja magnética e depois indicam um motoboy para recolher o cartão do correntista. Além disso, o golpe do falso funcionário também apresentou um crescimento de 70%. No mesmo período houve alta de 60% em tentativas de golpe contra idosos.

O diretor-adjunto de operações do Febraban, Walter Farias, explica que o cliente deve ficar atento a esses tipos de golpe e que a instituição e os bancos estão constantemente fazendo campanhas e ações de conscientização para orientar a população a se prevenir de fraudes. O diretor conta que em casos de contatos suspeitos a melhor forma de agir é ligar para a instituição bancária e esclarecer quaisquer dúvida. “Se a pessoa receber alguma ligação desse tipo, deve ligar diretamente para a central do seu banco de um aparelho diferente daquele que recebeu a ligação e verificar se existe algum problema com o cartão”, explica.

Ainda segundo Farias, em caso de descarte de cartão é importante inutilizar o chip. “Os bancos nunca enviam funcionários para recolher os cartões e também nunca entram em contato com o cliente para pedir senha nem número de cartão, pois o atendimento é receptivo, ou seja, aguarda o cliente entrar em contato caso haja um eventual problema”, comenta.

De acordo com a Febraban, os bancos investem aproximadamente R$ 2 bilhões por ano, para garantir a segurança das movimentações bancárias.

 

 

Direito do consumidor

 

O especialista em direito do consumidor e autor dos livros Defenda-se, consumidor e o Banco nos bancos do réu, Cândido Sá, conta que a instituição financeira é obrigada a restituir e indenizar o cliente que tenha perdido dinheiro nesses golpes, desde que o cliente não tenha fornecido senhas. “Nesse caso, o banco não se responsabiliza. Nos demais, os bancos têm a responsabilização material, que é a restituição do valor perdido, e de dano moral, pois a pessoa é descapitalizada”, fala.

As vítimas desse tipo de golpe, além de informar ao banco sobre o ocorrido, devem ir até uma delegacia e fazer um boletim de ocorrência. Essas ações são necessárias para proteger o consumidor em caso de alguma cobrança posterior.

A diretora de atendimento do Procon, Adriana Menezes, fala que a instituição financeira é responsável pela segurança dos serviços que são oferecidos. “O consumidor quando é lesado tem que verificar se houve falha na segurança, pois muitas vezes a falha é da instituição, se for, ela será responsabilizada por isso”, esclarece.

Nos casos de acesso a sites adulterados que possuam a aparência da página original, e que tenha gerado prejuízo à pessoa, como pagamento de boletos falsos, o cliente pode recorrer à Justiça usando como base a ‘teoria da aparência’ do Código de Defesa do Consumidor.

Para fazer uma reclamação junto ao Procon é necessário levar documento oficial com foto, dados bancários, se possível fazer prints da tela, gravação das ligações e unir o que for possível de provas materiais para recorrer na Justiça.

 

Fonte: A Tarde