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Segurança digital vai gerar em torno de 3,5 mi de empregosPostado em: 2 de março de 2020

O surgimento de novas tecnologias como 5G, internet das coisas (IoT), veículos autônomos e indústria 4.0 está levando ao aumento da demanda de profissionais de cibersegurança. Segundo estimativas da Cybersecurity Venture, líder mundial em pesquisas de cibereconomia global, o setor deverá gerar 3,5 milhões postos de trabalho até 2021. Somada a esses fatores, a entrada em vigor em agosto da Lei 13.709/18, conhecida por Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), contribuirá para o aumento da demanda no Brasil.
Diante desse cenário, o engenheiro Raul Colcher, doutor pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), presidente da Questera Consulting Life Senior Member, que faz parte da IEEE, organização profissional técnica dedicada ao avanço da tecnologia em benefício da humanidade, alerta ser urgente a formação de profissionais para o setor, que é o responsável pela segurança e privacidade de tecnologias existentes e emergentes. A situação é célere porque, ao se pensar no Brasil, a maioria tem certeza de que o país é um dos mais atrasados em cibersegurança.
“O campo da cibersegurança é vasto e interdisciplinar, abrangendo competências diversificadas na área tecnológica, mas também em outras, tais como as de gestão, psicologia e ciências humanas em geral. Pode-se dizer que o Brasil conta com profissionais competentes e habilitados para as técnicas básicas de proteção contra os ataques mais comuns no universo corporativo. Mas, provavelmente, em quantidade insuficiente, tendo em vista os desafios atuais e previsíveis”, diz Colcher. Por outro lado, o especialista pondera que falta, em muitos casos, uma cultura de processos bem estabelecidos, documentados e maduros, o que tende a expor informações e processos de negócios a ataques.
Para Colcher, existe pouca educação e conscientização sobre processos e rotinas básicas de segurança física e lógica aplicáveis a dispositivos pessoais, como celulares, o que torna vulnerável o acesso a sistemas corporativos e aplicativos sensíveis de uso pessoal. “É importante observar que o campo da cibersegurança evolui rapidamente, em resposta a demandas cada vez mais complexas, provenientes da sofisticação crescente dos ataques.. De uma forma geral, as organizações brasileiras estão atrasadas na implementação de tecnologias emergentes no universo da transformação digital, o que faz com que não estejam ainda enfrentando plenamente alguns dos complexos desafios de segurança e privacidade reportados em ambientes mais avançados.”
O déficit de qualificação nas áreas de segurança e privacidade, tanto no nível profissional quanto gerencial, parece semelhante ao que existe em outras áreas, segundo o especialista. “De modo geral, somos limitados, de início, por uma educação básica deficiente. Nossos estudantes apresentam desempenho abaixo da média em competências básicas, como matemática elementar e compreensão de textos, o que acaba influindo negativamente sobre suas possibilidades de desempenhar satisfatoriamente funções que ultrapassem o nível básico das aplicações de negócios mais comuns”, afirma.

APLICAÇÃO CIENTÍFICA

A indústria de informática brasileira não escapa da escassez, já que não é fácil encontrar profissionais capacitados para o desenvolvimento de aplicações científicas ou de engenharia, algoritmos avançados, telecomunicações, planejamento ou integração de redes e sistemas, técnicas criptográficas, etc. “O campo da segurança caminha para soluções de arquitetura, integradas às arquiteturas de sistemas, em que as novas competências de inteligência artificial, ciência de dados e engenharia de software em geral tornam-se ainda mais críticas, pondo em relevo, de forma mais grave, essas deficiências de formação básica”, destaca o especialista.
Diante deste cenário, é emergencial que o Brasil encontre e forme profissionais com know how e habilidades necessárias: “A falta de mão de obra qualificada já está sendo sentida e tende a se agravar no curto prazo. Serão necessários esforços e investimentos em formação e também reestruturação de processos e organogramas para atualizar as atribuições e responsabilidades relacionadas”, alerta Colcher.
Fonte: Estado de Minas