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Terrorismo e segurança no BrasilPostado em: 7 de dezembro de 2011

Já há algum tempo se discute a presença de grupos terroristas na tríplice fronteira Brasil-Paraguay-Argentina, contudo sem maiores detalhes. Por iniciativa de um jornalista que resolveu abordar esta questão em decorrência dos vazamentos do “Wikileaks” – já comentado por nós em edição anterior – nos deparamos com informações sobre investigações, processos e prisões de indivíduos estrangeiros radicados no Brasil com graves implicações de terrorismo internacional. Interessante notarmos que não temos uma legislação específica sobre o terrorismo no Brasil e que estas pessoas foram indiciadas e soltas por crimes menores, (Como comparar o terrorismo com outros crimes?) por assim dizer. A despeito da legitimidade legal de se informar estes conteúdos – parece-nos que a Polícia Federal aproveitou para também nos informar que seu grupo especializado no combate ao terrorismo foi desarticulado recentemente – qual seria a primeira medida destes terroristas senão a de ativar outras células em detrimento da vigilância e exposição que estavam sofrendo? Foi uma ação pensada e oportunista de fazer com que os terroristas se movimentassem para indicarem as outras células, já que estariam dormentes e sem perspectiva de identificação positiva? Muito provável. Toda “propaganda” serve a uma boa desinformação se planejada por profissionais. Resta saber se um dia saberemos a continuação desta história. Os criminosos, segundo consta, foram denunciados pela INTERPOL e pela CIA, que evidentemente possuem os recursos e a disposição necessária para rastrear, localizar e monitorar estes personagens das sombras. Não é difícil em algum momento, parentes próximos reclamarem e exigirem esclarecimentos ao governo brasileiro sobre o desaparecimento de alguns deles. Pois como se diz “a vingança se come em prato frio” e muitos são os “lobos” que querem comer neste prato. È claro que a opinião é minha, mas já vi o “script” deste filme em algum lugar antes. Com a proximidade da Copa do Mundo e das Olimpíadas em nosso grandioso país, as deficiências de infraestrutura e segurança pública já estão sendo exploradas pela mídia e deverão tomar o consciente coletivo da população pela possibilidade de ocorrências das mais temíveis ameaças terroristas. Isto é tudo que os terroristas mais desejam. Que se crie uma consciência de pânico generalizado e a maior descrença possível nas autoridades e na capacidade do país lidar com esta situação de emergência. Acredito que uma dúvida razoável é bem cabível nestes casos, pois como sabemos os planos de emergências e contingências são para catar os cacos. Só a Inteligência Integrada entre todos os serviços de segurança poderá tentar fazer frente a este enorme desafio. Para que um projeto de Inteligência Integrada desta envergadura consiga vencer as barreiras políticas e burocráticas que envolvem estas questões, primeiro precisaremos que o corporativismo e a desconfiança entre todos os envolvidos sejam abrandadas pelo mérito da questão e dos benefícios lógicos que surgirão de verdadeiras parcerias. Fico estarrecido quando vejo mentes muito pequenas se digladiando com questões menores, demonstrando como nossas instituições são atrasadas nos quesitos orgânicos e administrativos, mesmo quando a nação clama por soluções mais permanentes. O terrorismo, como o crime organizado, são desafios constantes que solicitam recursos e desenvolvimentos permanentes para suas bases de ação. Acredito que não só o Estado Brasileiro, mas todas as grandes organizações privadas deste país devem se engajar na solução destes problemas urgentes. O exemplo vem mais uma vez de fora. Se observarmos bem, descobriremos que em todos os países ricos e obviamente bem desenvolvidos, onde a segurança pública conta com grandes efetivos e recursos técnicos, a segurança privada é muito presente e igualmente desenvolvida. Precisamos desenvolver novas mentalidades e quebrar paradigmas quando pensamos em soluções duradouras na segurança. Em Israel há muito tempo, e agora nos Estados Unidos, posso afirmar que a segurança privada não é menosprezada no combate ao terrorismo em nenhuma circunstância. O caminho de integração passa pela conscientização, treinamento e desenvolvimento de processos preventivos que integrem programas comuns com clara definição de responsabilidades. Cabem as empresas privadas, como aos órgãos públicos descobrirem o perfil certo para seus profissionais, sempre compatibilizando o mesmo às condições de risco que serão treinados para prevenir e reagir. Não se pode falar que os profissionais de segurança pública e privada são mal treinados se não aceitarmos que os riscos aumentaram drasticamente. A especialização e o desenvolvimento dos profissionais de segurança traduzirão diretamente os resultados de uma ação contraterrorista, repercutindo enormemente na imagem do país internacionalmente. Rogo que nossos eventos sejam grandiosos não só pelo tamanho, mas pelo planejamento e execução primorosa.

Aureo Miraglia de Almeida, CES

É operador de inteligência, consultor e diretor da Poliguard – Risk Intelligence

poliguard@seguranca.com.br